5.4.2. Por que é importante a vigilância epidemiológica e que fazer para melhorà-la?

- A vigilância da raiva é o principal índice de sucesso de qualquer programa de intervenção. A vigilância implica na coleta de dados essenciais para: 1) determinar a situação da raiva no início do programa; 2) monitorar e avaliar o progresso e o impacto da intervenção; 3) gerir adequadamente o risco de possíveis exposições do homem à doença; e (4) calcular a rentabilidade dos esforços de controlo. Se as medidas de vigilância não forem implementadas inicialmente, devem ser estratégicas e rapidamente aplicadas. Importa sublinhar que a eficácia na transmissão de dados é tão importante quanto a sua recolha, de modo a permitir a sua análise tempestiva. Com efeito, a análise dos dados pode revelar alterações na situação da raiva, nomeadamente a ocorrência de surtos, que requerem uma intervenção imediata.

- A suspeita de raiva nos animais pode ter por base o histórico de mordeduras e os sinais clínicos, mas a confirmação em laboratório é o único meio de diagnóstico definitivo. Os países que pretendam lançar um programa de controle da raiva devem dispor de infra-estruturas mínimas para o diagnóstico em laboratório, conforme descrito aqui, , utilizando a melhor técnica de diagnóstico da raiva, o teste de imunofluorescência direta, pelo menos nos laboratórios nacionais, Para consultar uma lista dos materiais básicos necessários para a realização deste teste, clicar aqui Se forem utilizadas técnicas alternativas válidas, como as descritas aqui, a confirmação dos resultados deve ser sempre realizada nos laboratórios centrais através do teste de imunofluorescência.

- Podem ser aplicadas técnicas simples de colheita de amostras por diversos tipos de operadores, como veterinários, agentes de extensão agrícola e pecuária e guardas florestais, para facilitar a colheita a campo e o transporte das amostras em zonas rurais distantes e para melhorar, em geral, a taxa de apresentação de amostras para análise. Para consultar a lista de materiais que o pessoal de vigilância da raiva necessita a campo, clicar aqui É essencial que o transporte das amostras para as instalações de diagnóstico da raiva seja organizado de forma eficiente para assegurar a sua entrega segura e a tempo.

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Fotografia gentilmente cedida pelo «Serengeti Carnivore Disease Project»

- O reconhecimento da raiva por parte das comunidades que vivem em zonas endêmicas da doença, em geral, é relativamente preciso. Por conseguinte, as informações sobre os casos (não confirmados) de raiva humana e animal, bem como sobre de feridas por mordedura de animais, podem ser obtidas durante os inquéritos por questionário. No entanto, este método é o mais utilizado para uma avaliação rápida do que para determinar a incidência, a não ser que todos os relatórios sejam acompanhados de uma investigação adicional. Os inquéritos por questionário podem ser importantes para perceber o conhecimento, as atitudes e os comportamentos locais, podendo estas informações serem utilizadas em programas pedagógicos e de comunicação mais específicos.

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Fotografia gentilmente cedida pelo «Serengeti Carnivore Disease Project»

- Os dados relativos às feridas de mordedura de animais dos hospitais são uma fonte de dados facilmente acessíveis e podem ser utilizados como indicadores de casos de raiva animal e de exposição à doença numa determinada zona e para avaliar o impacto da vacinação canina sobre a exposição humana à raiva.

- Os hospitais podem igualmente fornecer informações sobre doses pós-exposição profiláticas administradas, que podem ser utilizadas para avaliação da relação custo-benefício dos programas de controle da raiva canina, pela redução das despesas de saúde pública em termos de custos das vacinas anti-rábicas humanas (decorrente da redução da raiva canina).

- É igualmente fundamental que sejam mantidos registos rigorosos de todas as despesas inerentes aos esforços de controlo da raiva, de modo a permitir análises ulteriores da relação custo benefício. Quanto aos tipos de dados necessários à realização de uma análise de custo benefício, queira consultar estes exemplos.

- Os dados georreferenciados sobre casos de raiva humana e animal (como os dados clínicos, confirmados por laboratório, e os dados relativos a mordeduras de animais) são úteis para identificar as regiões mais afetadas pela raiva e assegurar iniciativas mais específicas.

- A tecnologia do telefone portátil poderá também reforçar a vigilância da raiva, já que permite a comunicação e a detecção em tempo real de casos ou mordeduras de animais, bem como o fornecimento de informações sobre a disponibilidade de produtos biológicos anti-rábicos.

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Segunda versão; última atualização em julho de 2013