5.4.1. Quais as técnicas disponíveis para calcular o número de cães?

Na ausência de informações sobre o número de cães na comunidade, devem ser efetuados levantamentos ecológicos antes da implementação de um programa de controle da raiva canina para programar as campanhas com precisão, com vista a avaliar a necessidade de um programa de gestão da população canina e a eficácia da intervenção. Caso as campanhas devam ser realizadas com uma certa urgência, é necessário proceder primeiro uma estimativa rápida, como descrito aqui, bem como levantamentos adicionais após a vacinação (por exemplo, associados aos inquéritos destinados a avaliar a cobertura da campanha, como descrito aqui).

As opções para a estimativa do número de cães a vacinar são as seguintes:

- Parecer de peritos, com base nos dados históricos de campanhas anteriores ou nos arquivos dos registros, se disponíveis.

- Parecer de peritos, com base em estimativas efetuadas em ourtras regiões geográficas ou com parâmetros demográficos diferentes.

- As técnicas de recenseamento habitualmente utilizadas são as seguintes:

  • Levantamentos por questionários podem ser utilizados para estabelecer o número médio de cães com dono por agregado familiar e a relação cão/homem. Uma vez que a população total humana ou o número de agregados familiares são geralmente conhecidos através dos censos nacionais, a estimativa da população de cães com dono pode ser facilmente obtida por extrapolação. Estes levantamentos podem ser realizados antes, durante ou depois das campanhas (por exemplo, associados aos inquéritos pós-vacinação para avaliar a cobertura da campanha, como descrito aqui ). Os agregados familiares entrevistados devem ser escolhidos aleatoriamente. Com estes inquéritos, informações adicionais pode ser obtidas:

    (1)As características dos cães (por exemplo, sexo, idade, a rotatividade da população e os métodos utilizados para tratamento e criação de cães), importantes para compreender padrões reprodutivos, a admissão anual na população canina (essencial para determinar a frequência necessária das campanhas) e o nível de supervisão e de acessibilidade.

    (2) As características do agregado familiar, principalmente determinantes do dono do cão (por exemplo, o estatuto socioeconômico, posse de gado, religião e sexo do responsável do agregado familiar), capazes de serem utilizadas para prever a dimensão e a distribuição da população canina (como indicado neste estudo) e para obter informações sobre a acessibilidade para a vacinação.

    (3) O conhecimento que os agregados familiares têm sobre a raiva, o que pode ser útil para as campanhas de sensibilização destinadas ao público, como descrito aqui.

    Nota-se que as informações adicionais nem sempre são necessárias e as prioridades devem ser definidas em função dos recursos disponíveis para a realização dos inquéritos.

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Fotografia gentilmente cedida pelo «Serengeti Carnivore Disease Project»
  • Existem também métodos disponíveis para avaliar o número de cães vadios, ou seja, cães com dono ou sem dono, mas que não andam acompanhados por um dono, como:
    • A contagens de indicadores que consiste na contagem de cães (por exemplo, machos, fêmeas e cachorros) ao longo de estradas representativas selecionadas. As contagens podem ser repetidas todos os anos (na mesma época do ano) para avaliar as alterações registadas na população durante esse tempo (ou seja, verificar se a população aumentou ou diminuiu). Para saber mais sobre este método, clicar aqui ).
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  • Os métodos de captura, marcação e recaptura consistem na marcação temporária dos cães, por exemplo, com um corante ou com uma coleira diferenciadora (para conhecer alguns dispositivos para a marcação dos cães, clicar aqui ), e subsequentemente registar a percentagem de cães marcados na população durante uma ação de «recaptura visual». Calcula-se o número total de cães da rua a partir do número total de cães marcados e da relação entre cães marcados e não marcados. A marcação pode ser facilmente feita durante as campanhas de vacinação. No entanto, é importante que a marcação e a recaptura se faça com poucos dias de intervalo de forma a minimizar a perda das marcas, os efeitos do deslocamento dos cães ou da mortalidade. Além disso, é preferível trabalhar numa área definida de apenas 0,5 a 2 km2 . Estas observações podem ser associadas às estimativas do número de cães com dono, obtidas através dos questionários aos agregados familiares, para calcular o número de cães não marcados, como indicado nestes estudos. As estimativas da densidade populacional também podem ser obtidas a partir das taxas de captura durante uma campanha de marcação de alguns dias. Os cães também podem ser marcados de forma permanente, se a intervenção compreender anestesia para estudos suplementares.
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Fotografia gentilmente cedida pelo «Serengeti Carnivore Disease Project»
  • As estimativas da população podem ser obtidas por extrapolação das contagens realizadas numa amostra (por exemplo, sub-regiões selecionadas aleatoriamente) a cidades inteiras. Estes inquéritos também podem ser repetidos para detectar as alterações no número de cães vadios. Para saber mais sobre os métodos e as formas de calcular o número total de cães de uma amostra, clicar aqui.

WSPA = World Society for the Protection of Animals




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Segunda versão; última atualização em julho de 2013